A Gazeta do Balão
Atualizado em 31/01/2019

Criado pelo saudoso Salvador, conhecido lojista e baloeiro da turma da Lembrança de Guarulhos, a Gazeta do Balão ou apenas “GB” como é conhecida, se tornou um dos maiores informativos do mundo do balão na primeira parte da década de 1990.

A Gazeta do Balão era diagramada mesclando desenhos à mão, colagens de fotos e seus textos datilografados em papel sulfite no tamanho ofício com cópias mimeografadas. Pra quem não sabe, o mimeógrafo era uma máquina muito utilizada até os anos 90 para a geração de cópias de um original em papel que utilizava álcool para copiar os contornos dos caracteres da matriz em folhas em branco girando uma manivela, que deixava o material com um forte cheiro de álcool. Com a popularidade dos computadores e das máquinas de Xerox, ele acabou sendo extinto.

O mimeógrafo foi um dos primeiros sistemas de cópias em série utilizados.

Os seus exemplares da GB rodavam as bancadas de todo o Brasil a cada mês. Com o passar dos anos, a Gazeta do Balão cresceu, tinha uma tiragem de mais de 5000 exemplares que eram vendidos nas principais lojas de materiais para baloeiros e até mesmo em comércios locais, quando seus proprietários eram baloeiros também.

Colunas como Minha Turma, entrevistas mensais onde as principais turmas de baloeiros do eixo Rio-São Paulo-Curitiba, Alma de Baloeiro, com poemas e poesias sobre a arte em papel, além dos noticiários, onde as turmas informavam os balões que subiram, iriam soltar, resgataram ou pretendiam fazer. Na época, era uma loucura. Todos queriam ler para saber quem pegou seu balão, saber dos festivais que iam rolar, dos resultados dos festivais passados e divulgar os balões que estavam fazendo ou pretendiam fazer. Também encontrávamos uma listagem de lojas de materiais do gênero, anúncios e escalas de moldes, pois na época era raro encontrar moldes de balões.

A partir de 1993, uma nova cara foi dada a Gazeta do Balão com a criação do Troféu Gazeta de Ouro, um campeonato parecido com o Incentivo aos Baloeiros, a Boca de Ouro na época. A Gazeta de Ouro foi um sucesso. Eram 20 categorias, desde as mais tradicionais: armação, fogueteiros, bandeiras, piões, as mais inusitadas como a melhor poesia ou poema e melhor lanterna.

A festa dos campeões, realizada em dezembro de 1993 na sede da Gaviões da Fiel em São Paulo, foi uma das maiores festas da época com a presença de mais de 2000 pessoas o que fez da Gazeta do Balão uma unanimidade entre os baloeiros do Brasil.

Uma das mais importantes criações da Gazeta do Balão foi o cadastramento de turmas de São Paulo. Foram cadastradas mais de 3000 equipes de baloeiros em São Paulo e na festa de entrega dos troféus da Gazeta de Ouro, as turmas receberam certificados comprovando a exclusividade de seu nome na sua região, pois o regulamento não permitia haver turmas com o mesmo nome na mesma região.

Outro projeto de grande sucesso foi a Cartilha do Balão, um manual com dicas ilustradas de confecção, como criar bandeiras, antenas, biscoitos, etc.

Em novembro de 1994, na edição 48, por problemas pessoais e financeiros, a Gazeta do Balão acabou deixando órfãos os baloeiros que a colecionavam, brigavam com os lojistas para que os avisassem quando a nova GB chegava e até mesmo o mundo do balão, que ficou sem seu principal veículo de informação.

A Gazeta na Internet

O site Gazeta do Balão começou em 2004 como Museu do Balão. Eu (Dinho) e meu pai o Rubinho da Turma Maria Preta, éramos fotógrafos e colecionadores de fotos de balões nos anos 80 e 90 e sempre que encontrávamos com amigos da época perguntavam sobre as milhares de fotos que eu e meu pai tínhamos. Eu estava afastado dos balões desde 1999 por motivos profissionais, já trabalhava com desenvolvimento de sites e para que todos os amigos pudessem ver minhas fotos, resolvi criar um site para que não só eles, mas qualquer pessoa que gostasse de fotos antigas pudesse ver.

O site Museu do Balão ficou no ar por 6 meses. Quando meu pai faleceu em dezembro de 2004, ainda doente, ele me pediu para voltar a soltar os balões, sua paixão. Decidi voltar e o primeiro passo era “melhorar” o Museu do Balão que era um site simples, mas recebia muitas visitas e elogios. Resolvi refazer o site, adicionar mais conteúdo e, me espelhando em sites que haviam na época como Planeta Balão, Cartilha do Balão, Teta Fotos, Balofuria e Balofik, procurei fazer um site que falasse de tudo sobre balões e não apenas fotos antigas.

Como a filosofia do meu novo trabalho era parecida com a Gazeta do Balão, o jornal de meu amigo Salvador, procurei saber seu paradeiro para pedir uma ajuda e descobri que tinha falecido em março de 2005. Na mesma hora decidi que o nome do meu novo site seria Gazeta do Balão, em homenagem à meu pai, que me ensinou a amar nossos “brinquedinhos” de papel e ao Salvador, muito amigo não só meu, mas de toda a família. E assim foi. Muito trabalho, muitas pesquisas e no final de abril de 2006, a nova Gazeta do Balão estava pronta.

No dia 01 de maio de 2006 estreou a nova Gazeta do Balão. Em apenas 2 meses no ar, a Gazeta do Balão atingiu 100.000 acessos e foi crescendo a cada ano de uma forma assustadora, o que me fez dedicar cada dia mais para ter o principal veículo de informação sobre balões no mundo.

Em 2008, decidi refazer todo o site do zero. As galerias de fotos foram refeitas com fotos em alta resolução e inserção de novas fotos pois, as primeiras versões da GB publicavam apenas 2 fotos de cada balão e todas elas pequenas. Nessa nova GB, estas fotos foram trocadas por fotos em maior resolução e todas as fotos do balão que tínhamos em arquivo foram colocadas em álbuns exclusivos do balão. Com isso, fotos de outros fotógrafos, detalhes e outros ângulos poderiam serem vistos como temos hoje.

Criamos também o Balorkut, um canal igual ao Orkut porém só de baloeiros e, com certeza, foi a primeira rede social exclusiva do mundo do balão.

Também refizemos as galerias de moldes com os mais conhecidos do site da Turma Del Plata, o site referência para o mundo do balão desde 2001 quando se fala em moldes que havia sido extinto.

Os anos passaram, novos projetos foram sendo criados, outros extintos, tivemos altos e baixos, mas o amor pela informação e pelos balões é o combustível para sempre buscar a melhor informação para quem ama a arte em papel.

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